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29

mar

2017

mulher-apos-maternidade

O eu-mulher pós maternidade

Hoje quero fazer um convite especialmente para as mamães (sim, por incrível que pareça, apesar de ser um blog materno, por aqui temos leitoras que ainda não são mamães e também aquelas que já me confidenciaram que nem pensam em entrar nesse mundo da maternidade).

Sabe aquela conversa franca, sem filtros e medos e sem freio na língua? Que, quando temos, é com pouquíssimas pessoas? Imagine alguém em quem você confie bastante (de repente, vale até um terapeuta) – caso não exista essa pessoa na sua vida, pense que você está sentada em uma cadeira de frente para o espelho falando consigo mesma.

Quero que você se faça a seguinte pergunta: como eu estou hoje (pós maternidade)?

Sugiro que, se possível, pare a leitura desse post e reflita sobre isso. Para quem tem disponibilidade, escreva o que vem à sua mente ao se perguntar como você está. Mentalizem as respostas.

Pensaram? Escreveram? Gravaram? Pois bem, então continuemos.

Já tem um tempo, como vocês podem perceber nas minhas redes sociais, que eu tenho refletido, pesquisado e estudado sobre o comportamento feminino pós maternidade. Diante dessas minhas buscas, encontrei algumas mulheres que trabalham e discursam sobre esse assunto também. A chave é sempre o equilíbrio – e como é difícil reencontrá-lo.

Digo reencontrar, porque cada uma de nós vivíamos, de uma certa maneira, equilibradas entre os diversos papéis que tínhamos (a mulher que trabalha, a esposa/namorada, a mulher vaidosa, a amiga companheira). Antes que qualquer pessoa chegue a pensar que estou aqui para colocar o peso de todas as mudanças que ocorrem conosco em cima dos filhos, quero afirmar de todo coração que a ideia do post e o meu pensamento não são esses.

A maternidade traz, sim, muitas mudanças. Mas elas são, acima de tudo, reflexo de uma postura que adotamos diante de uma sociedade que grita e aponta o dedo o tempo inteiro, a fim de ditar regras. Geralmente, essas imposições dizem que a mulher, depois que vira mãe, tem que se anular e abdicar de sua vida pessoal para viver exclusivamente em função dos filhos.

O cuidado é justamente nesse exclusivamente. Imaginem só: se formos pegar uma mulher qualquer (pode ser eu, pode ser você) e destrincharmos tudo que há dentro dela, descobriremos vários papéis/funções.

Eu não vou entrar no mérito do “peso” que o papel de ser mãe carrega, porque hoje, mais do que nunca, entendo que a maternidade tem um peso diferente para cada mulher. (Atenção: a palavra peso aqui é usada em seu sentido literal, ou seja, aquilo que tem carga. Não no sentido negativo de algo que atrapalha, machuca e/ou incomoda. Certo?).

arte-mulher

Enfim, voltemos à exclusividade. Se nós vivermos respirando apenas a função mãe, não existe maneira de fazer com que esse círculo fique equilibrado. É claro que, depois que viramos mãe, abrimos mão de muitas coisas – nossa vida passa a ser ainda mais baseada no pensar e repensar. A questão aqui é o impacto que isso tem quando esse abrir mão é desmedido.

É comum escutarmos de mães “Nossa, minha vida está um caos! Minha casa está um caos, meu casamento tá ruim, não tenho mais amigas, olha como eu estou!”. E por que isso acontece? Pelo tal desequilíbrio.

Creditamos e colocamos todas as nossas expectativas, ansiedades, sentimentos, conquistas e frustrações no eu-mãe. Não sei se isso assusta alguém, mas tenham a certeza de que essa situação não é saudável. Pode ser que seja apenas um momento e que sozinha a mulher consiga fazer as coisas voltarem ao eixo, o que não exclui a necessidade de tomar cuidado com isso.

Como tudo na vida, cada ação tem uma reação. Existem outras pessoas no mundo que “dependem” da nossa alegria, dedicação e carinho. Além disso, NÓS precisamos de amor – e esse amor começa pelo amor próprio. Quando nos amamos, nos entendemos e percebemos até onde vai o nosso limite.

Tenho visto que essa é uma grande fragilidade no universo materno. Como a sociedade grita que precisamos ser aquela mãe que faz tudo o tempo inteiro, que não dá comida artificial, que não pode passar protetor solar e, consequentemente, expor a criança um pouco ao sol antes dos 6 meses, que não pode oferecer açúcar, que não pode deixar o filho sob os cuidados de um terceiro, que é feito pedir ajuda (lembram daquela frase “Quem pariu o Mateus que o balance”?), nós internalizamos a ideia de que a maternidade precisa ser árdua, sofrida para termos mérito.

Onde está esse mérito? Também não sei. Não sei onde vive o Sindicato das Mães Perfeitas que nos presenteará com uma medalha. Brincadeiras à parte, apesar de estarmos vivendo no auge do feminismo, do empoderamento da mulher, quando se trata da maternidade, essas correntes parecem perder força e voz.

“Você é mãe! Comporte-se. Não use mais batom vermelho, não dance, não ponha roupas curtas, não saia sem as crianças, não coloque biquíni de lacinho, não use decote, não desfile no carnaval, não fale palavrões. Não, não, não!” dizem a toda hora.

Se a sua resposta à pergunta do início desse post foi negativa, ou seja, se percebeu que você se esqueceu de vários aspectos da sua vida depois da chegada dos filhos, se você está faltando consigo mesma, se na sua relação as coisas não estão legais, eu te convido a refletir sobre os aspectos aqui levantados.

Quanto tempo faz que você não toma um café com sua mãe ou joga conversa fora com sua irmã? Há quanto tempo você não sai com as amigas para um cineminha ou um almoço gostoso? Qual foi a última vez que você foi a uma balada, caso goste muito delas?

O que faz seu coração palpitar e se alegrar além do teu filho? Sim, gente, é possível sermos felizes em outros momentos. É possível e nós merecemos. Porque, para cuidarmos bem da nossa cria, precisamos estar bem em primeiro lugar.

O cérebro é extremamente inteligente, ele suporta até um momento. Por isso, se você acabou de ser mãe ou mesmo está com um bebezinho pequeno em casa, pode me achar louca ao ler esse texto. Eu mesma me acharia louca se o estivesse lendo quando a Valentina tinha menos de 1 ano. Eu pararia de ler e, talvez, até deixaria de ser leitora do blog, simplesmente porque o que escrevi aqui não faria sentido.

Mas, a vocês, eu peço: reflitam sobre isso também. Conversem com mães que tenham crianças mais velhas e pensem com carinho sobre essa questão. Agora em maio, a revista Pais&Filhos fará seu terceiro seminário internacional. O tema dessa edição será “Mãe também é gente: só cria filho feliz, uma mãe feliz”.

Alimentem-se de conteúdo que as incentivem a vestir e tomar posse dos seus outros papéis para além da maternidade. Sim, temos nosso momento de bolha e cada um sabe o que é melhor para si. Mas lembrem-se sempre do equilíbrio, do seu eu interior.

Algumas de vocês podem achar que não, porque eu escolhi justamente os momentos nos quais não estou com as crianças para dar voz à nossa liberdade. Para mostrar que é permitido que sejamos felizes. Mas, quem convive no meu universo pessoal, sabe que é a maternidade que faz meus olhos brilharem, o papel que mais tem “peso” na minha vida, com o qual sempre sonhei. Ser mãe é o que me faz acordar todos os dias e dizer “Meu Deus, obrigada pela minha vida, porque tenho dois seres pequenos que precisam de mim e que quero estar sempre presente quando qualquer um deles precisar”.

Além disso tudo, convido-as também para ler os escritos da Laura Gutman, uma psicopedagoga argentina especializada em família e maternidade.

Para que esse equilíbrio aconteça, permitam-se, cuidem-se, atentem-se ao que está ao redor. A capa de mulher maravilha eu, particularmente, nunca quis vestir. Peçam ajuda – isso não é feio, vocês alegrão muitos parentes ao permitir que eles participem da vida das crianças também.

Pedir ajuda demanda confiança no outro. E é aí que está o famoso pulo do gato: quando o outro está no comando, não adianta querer ditar as regras. Saia do centro de controle do tudo. Se dê o prazer de relaxar e curtir sem culpas. Existem outras formas de cuidar, sempre com segurança e amor, é claro. Doce e televisão fazem parte das memórias afetivas da infância na casa da vó, rs. Releve!

É isso, ufa! Falei demais, mas acho que isso até merece virar vídeo no Youtube. O que acham? Me falem nos comentários!

Digam também se esse texto fez sentido ou foi muito maluco tudo o que escrevi, rs. Vamos compartilhar, porque, dessa maneira, ajudamos umas às outras.

Beijos!

14 Comentários

  1. Beatriz Martins disse:

    Boa noite Elaine, adorei seu texto. Estou passando exatamente por isso no momento.
    Tenho 23 anos e minha bebê tem 5 meses e meio, larguei todos os outros papéis para ficar com a carreira de mãe, o que na minha cabeça não tem nenhuma lógica.
    Estou me mudando para SP em dois meses para morar com meu esposo, ele trabalha aí. Vão ser uma série de mudanças na vida pessoal, familiar, afetiva.. muito o que se acostumar rs

    Faça um vídeo sim, para contar sua experiência em relação a esse tópico já que tem dois filhos.

    Uma ótima noite e beijos para você e nas crianças

  2. Arlene Borges disse:

    Boa noite Elaine!
    Forte! Essa palavra define esse post
    Estou passando por momentos muito difíceis em minha vida após a maternidade.
    Sei que preciso mudar. Mais não vejo como! Não vejo saída e nenhuma solução.
    Mais Deus vai me guiar no caminho correto
    Beijos sua linda

  3. Patricia Resque disse:

    Oi Elaine!!!
    Bom tenho 39 e faço 40 esse ano. Tenho uma filha de 1 ano e estou grávida de 3 meses de um menino. Estava acostumada a trabalhar muito!!! Viajar, jantares e academia… vivia pra mim!!! Escolhi a hora certa de abdicar dessa rotina pra ser mãe e mesmo assim percebo a dificuldade hoje de cuidar de mim e conseguir ter mais tempo pra descansar e ler um bom livro! Mas como você mesmo disse é a maternidade que me faz brilhar os olhos. Estou muito feliz com a vida que tenho e sempre me inspiro nos seus textos. Vale essa reflexão pra tentar flexibilizar mais o meu tempo para me curtir e me cuidar mais!!! Um grande abraço!

  4. Gleicy Kelly Chaves Lima disse:

    Elaine te acompanho através do Blog a pouco tempo poremporém me sinto muito à vontade extramamente feliz qdo leio os seus posts. O texto é excelente, real e muito válido nos dias de hoje. Amei mais ainda a Live…a nossa felicidade depende única e exclusivamente do equilíbrio de todas as nossas funções. Dinheiro não trás felicidade e sim trás um conforto e uma facilidade MAS existe muito gente cheia da grana infeliz é gente com poucos recursos e muito feliz. Continue sendo essa pessoas simples sensacional!!!

  5. Ismalia disse:

    Texto de “peso” me represente e muito no meu atual momento,mãe de primeira viagem,sem vizinhos e sem família por perto,marido trabalha fora o dia inteiro e eu fico a sós com o baby……fico dividida entre arrumação da casa……entre ler minha pilha de livros começados..me cuidar….ou ficar exclusivamente com meu filho,é difícil não é fácil não!
    Hoje eu diria q estou um caco,porém muitíssimo feliz!

  6. Glória disse:

    Hoje eu não sou mãe (biologicamente falando), sou madrasta, e tenho as pequenas em casa quinzenalmente. Não consegui ser mãe ainda devido à problemas com endometriose. Mas consegui me identificar com o texto, cuidar de uma criança requer muito de nós além de tempo e preparo emocional.
    Minhas meninas caíram como paraquedas no meu colo. Comecei a namorar com o pai delas á 1 ano e estou a 3 meses casada, as pequenas estão em casa quinzenalmente e desde o primeiro momento minha ligação com elas foi espontânea e deliciosa, porém devido á uma carência materna que elas possuem, elas sugam tudo que pode de mim. Claro que dou todo carinho do mundo á elas, e amo fazer isso. É maravilho, porém cansativo e muitas vezes me cobro por não fazer o suficiente por elas.

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