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21

jun

2017

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À espera do Vittorio: primeiro trimestre

Oi, meninas! Estava devendo um relato para vocês comparando as três gestações, não é? Na verdade, comparando essa em relação aos duas anteriores – essa veio de um jeito avassalador, muito diferentes das primeiras.

De uma forma bem resumida, na gestação da Valentina, eu não senti absolutamente nada de diferente. A única coisa foi a barriga, rs. Inclusive, as pessoas costumavam dizer que eu nem parecia estar grávida até a barrigota aparecer. Muitas vezes, isso fez com que eu me sentisse mal, como um peixe fora d’água.

As redes sociais não eram tão forte ainda, mas algumas amigas engravidaram na mesma época, eu fazia pós graduação, então tinha contato com bastante mulher, e nenhuma acredita que eu não tinha queixas/reclamações a respeito da gravidez.

Momento confessionário: uma vez, em uma roda de conversa, acabei falando que minhas costas doíam demais só para entrar no papo, sabem? Para não ficar de fora do assunto do grupo.

Na do Luigi, eu tive um pouquinho de enjoo. Nos primeiros três meses, eu não conseguia comer alguns alimentos com cheiros fortes, como frutos do mar. Mas dava para me alimentar o suficiente para ter energia!

Foi uma gestação diferente da primeira no sentido de compromissos. Já existia o blog, eu tinha meus compromissos com as redes sociais e foi também nesse ano que investimos na nossa casa em Orlando – e fui eu que toquei todo o negócio. Ou seja: fiz três viagens para fora do Brasil, trabalhei bastante e, óbvio, já tinha uma filha para cuidar.

Mesmo assim, nada foi comparado com essa terceira gestação. Em questão de atividades, estou trabalhando bem menos no que diz respeito a volume, porque consegui colocar algumas metas, limites e diminuir bastante o meu senso crítico em relação à perfeição em todos os papéis que tenho.

Porém, no sentido físico e emocional, eu não consigo nem comparar o que está sendo gerar o terceiro baby com os dois primeiros.

A indisposição bateu de maneira violenta, eu não conseguia comer absolutamente nada (houve dias em que passei a base de bolacha de água e sal), mal conseguia tomar água, tive muita náusea, dor de cabeça, tontura, intestino preso… Além disso, o primeiro trimestre foi marcado por um desinteresse total pelo meu marido, libido totalmente alterada, muita irritação.

Somado a isso, uma pitada de privação de sono, porque, logo que descobri a gestação, a Valentina e o Luigi voltaram a acordar de madrugada (coisa que não faziam há um bom tempo).

Como durante à noite não tenho ajuda nem do meu marido, uma vez que ele trabalha nesse horário, as manhãs eram muito difíceis para mim. Eu não conseguia comer, estava morrendo de sono (normal da gestação + a privação da madrugada), sem energia/disposição nenhuma.

Eu não admitia passar uma manhã na cama. Na minha cabeça, gravidez sempre foi sinônimo de saúde (continua sendo no sentido amplo), então, não aceitava meu corpo cansado. Não aceitava olhar para as funcionárias de casa e dizer “vou voltar para cama, porque estou indisposta”. Não aceitava olhar para mim e pensar “nossa! Por que você está desse jeito se queria tanto esse bebê? Se foi abençoada mais uma vez – e, dessa vez, na primeira tentativa?”.

Eu sentia como se estivesse sendo ingrata a Deus. Primeiro, precisei aceitar que meu organismo estava daquela maneira e entender que cada gestação é uma. Entender que o Vittorio, desde a barriga, veio para me ensinar muita coisa. Mais uma vez, tive que quebrar paradigmas, o que permitiu que eu me tornasse um ser humano mais empático e evoluído.

Digo isso, porque hoje consigo entender, com muito mais empatia e acolhimento, uma mulher grávida que diz que não consegue levantar da cama.

Eu comecei a sentir todo esse mal estar por volta da 7ª semana e relutei muito para recorrer aos remédios que estão disponíveis hoje - eu recorro aos medicamentos em último caso mesmo.

Tudo isso foi um processo, no qual pude contar com a ajuda do meu marido, da minha mãe e sogra, da minha religião, do meu ginecologista. Todos me ajudaram, de formas diferentes, alegando que eu precisava escutar o meu corpo.

Já que eu não tenho horário fixo para trabalhar, que não preciso sair de casa todos os dias para cumprir uma carga de trabalho, eu poderia me permitir vivenciar aquele repouso, viver o que meu corpo estava pedindo.

Claro que há o julgamento alheio, uma autocobrança de produzir o tempo todo. Mas unindo a medicina aos conselhos de pessoas mais velhas e a um entendimento próprio, pude desacelerar e me entregar de corpo e alma para essa gestação.

Entrando na 12ª semana, a disposição voltou (não tanto quanto nas outras gestações, rs), consegui me alimentar melhor, passei a fazer acupuntura e estou me programando para voltar para a atividade física regular, porque sei que isso fará bem a mim e ao bebê. Tenho pensado em uma caminha leve e yoga.

O intestino também regularizou, que alívio. Pode parecer uma coisa simples, mas o mau funcionamento incomoda muito. Para isso, não tomei remédio, fui pelo método natural mesmo (e, por ser natural, vou dividir aqui).

Tomei o suco laxativo que é oferecido na maternidade. Ele é feito com metade de um mamão bem maduro, duas ameixas sem caroço (eu as deixava num copo com água na noite anterior) e uma laranja espremida. Bate tudo no liquidificador com duas pedras do gelo. Tomei todos os dias (ou comia de colher, dependendo da consistência).

Aumentei também o consumo de água de forma bem consciente.

A libido também foi voltando, mesmo que ainda não esteja no seu normal. Mas, pelo menos, consigo ter os nossos momentos a dois.

Finalmente, comecei a curtir o dia a dia com a barriga sem toda essa sensação ruim. Fiz questão de dividir isso por aqui, pois me senti muito mal no começo, com aquela sensação de estar sendo ingrata e achando que somente eu estava passando por aquilo.

Me perguntaram se mesmo tendo vivenciado toda essa experiência não tão positiva no início dessa gestação eu encararia uma quarta gravidez. E, mesmo antes do Vittorio nascer, eu digo que sim. Sempre pensei em famílias grandes!

Óbvio que não é o momento, nós vamos dar um tempo para programar nossa família com três filhos. Mas eu encararia, sim, justamente por acreditar que cada gestação é uma.

Um abraço para aquelas com as quais eu fui impaciente algum dia ao se queixarem de sintomas ruins na gravidez. Hoje eu as entendo perfeitamente.

Beijos e ótima quarta-feira!

 

5 Comentários

  1. Joseane disse:

    Elaine, boa tarde! Amei ler seu relato, eu estava muito curiosa para saber as diferenças que você sentiu nas três gestações. Eu também estou grávida pela terceira vez, e essa gravidez está sendo totalmente diferente das duas outras. Tenho dois meninos e nas deles eu fiquei igual vc ficou na gravidez do Vittorio. Sem libido, não conseguia comer, emagreci horrores, só queria ficar deitada. Agora nessa terceira não sinto absolutamente nada, nem parece que estou grávida. Ainda não sei o sexo do bebê, vou descobrir somente em julho. Espero que seja uma menininha, quem sabe né rsrs
    Obrigada pelo relato, amo seu blog, seu Instagram!

  2. Gabriela Silva Reimberg disse:

    Amo acompanhar seu blog e Isnta me identifico muito com suas experiências e amo suas dicas, eu ainda não sou mamãe mas serei uma futura tentante (final do ano) então não poderei opinar e nem dividir minha experiência (ainda rs). Mas posso desejar sucesso, paz, harmonia e todos os melhores votos para você e sua família. Um beijo de uma super fã.

  3. Anahí Souza Silva disse:

    Adorei seu relato…me reconheci em vários trechos. Estou na segunda gestação e o segundo e terceiro mês foram bem difíceis e diferentes da primeira gestação na qual só sentia sono e dor de cabeça. Nessa tive muito enjôo e vômitos, várias vezes precisei pedir dispensa do trabalho. Fora o mal estar, indisposição e fraqueza por ter dias que passava com apenas um pão francês no estômago. Entender e respeitar nosso corpo, nossos limites e principalmente ter consciência que cada gestação é uma fundamental, fora a ideia que td são fases…e as fases passam. Boa gestação é uma grande abraço. Bjos Ana

  4. Isabella disse:

    Elaine amei seu relato! Na gestação do meu primeiro baby, tive uma gravidez muito normal e ativa, tinha super disposição pra me cuidar, trabalhar, dirigir… até que com 24 semanas entrei em tp prematuro e tive que fazer repouso absoluto até as 35 semanas, foi muio triste. Eu não estava me preparando pra isso, eu queria montar o enxoval, trabalhar ate o último momento, arrumar o quartinho, poder lavar pessoalmente as roupinhas pra guardar nas gavetas… infelizmente não deu! Mas isso não me traumatizou não, planejando uma nova gravidez quero fazer tudo que não pude fazer com o meu primeiro filho! Beijos, muita saúde pro Vittorio!

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