Você está aqui > Home > Boas Viagens > A chegada do segundinho – anseios, medos e realidade

06

jun

2017

chegada-do-segundo-filho-valen-luigi

A chegada do segundinho – anseios, medos e realidade

Vamos falar sobre a chegada de um irmão (mais especificamente, do segundo filho)?!

Acredito que a maioria de vocês pôde acompanhar que, esse fim de semana, eu participei da Feira Bubble –  no sábado, tivemos uma manhã/tarde de autógrafos do Quando Não É Você Quem Escolhe que foi muito especial.

E, entre as dezenas de mamães que pude encontrar nesses três dias de feira, muitas estavam grávidas esperando o seu segundinho ou a sua segundinha.

Assim como eu já me peguei em pensamentos e preocupações que elas me relataram estar vivenciado no decorrer desses dias, eu decidi escrever esse post para compartilhar minha visão – teórica e prática – sobre o assunto.

No meio das nossas conversas, sempre surgia algo do tipo “ah, mas você está indo pro terceiro, então a chegada do segundo você tirou de letra! Como foi pra você? Me conta!”

Para todas, eu disse o que sempre costumo dizer: aqui, atrás da tela  do computador, eu sou a Elaine que as pessoas do meu convívio pessoal conhecem.

Porque a minha grande preocupação, além de fazer um trabalho com seriedade, é encarar quem convive comigo (mãe, marido, irmã, amigas).

Voltando… Bom, basicamente, o que respondi para todas as mamães aflitas é que, tudo que nós pensamos, tem um sentido e um porquê. Partindo da ambivalência do sentimento amor, com certeza, nós somos capazes de amar mais de um filho.

E esse amor é multiplicado, e não dividido. O que vale a pena enfatizar é que esse amor é construído – assim como aconteceu na relação com o primogênito.

Alguns pesquisadores e teóricos afirmam que apenas um número mínimo de mães sentem aquele amor pleno logo de imediato. É um processo também na maternidade.

O que quero dizer é: se você está gestando o segundo filho, fique calma. Especialmente na quarentena, pois oscilações hormonais acontecem e esse sentimento está sendo construído diariamente.

Uma outra preocupação recorrente: a relação do primogênito com o novo bebê. A maxima é a mesma – é um processo. O amor entre irmãos também não é imediato.

É óbvio que nós, enquanto mães, projetamos aquela relação idealizada, do que nós desejamos para nossa família. Colocamos na nossa cabeça (e isso, sim, é positivo) frases como: olha, eles já se amam desde a barriga! Serão melhores amigos! Terão um ao outro para sempre!

Esses pensamentos todos fazem parte do “conto de fadas” da vida materna. É o que esperamos – nenhuma mãe gera um segundo filho pensando que ele não se dará com o primeiro.

Agora, quando trazemos isso para a realidade (porque sempre existe o ideal e o real), precisamos ter a maturidade para entender que esse amor de uma criança para com um bebê exige, sim, muito da nossa participação, mas temos que respeitar o tempo do primogênito.

Portanto, é extremamente necessário que deixemos de lado o imediatismo. As coisas não são instantâneas: nasceu o segundo filho, a mãe ama loucamente, o irmão mais velho é extremamente apaixonado por ele. Repito: pensemos no amor como um processo. Um dia depois do outro.

Dessa maneira, acalmamos nossa mente e a possibilidade de nos frustramos é menor. Nossos pensamentos ideais e romantizados nem sempre encontram respaldo na realidade e na consciência.

Se tivermos essas noções bem claras, provavelmente, lidaremos melhor com os obstáculos que surgem pelo caminho. Pois, é óbvio, eles existem.

Na maternidade, assim como na vida, não acontece tudo do jeito que sonhamos. Pelo simples fato de sermos seres humanos – enquanto mãe, filhos e marido.

O que antes era uma tríade, agora é uma tétrade. A chegada do novo membro também provoca uma grande mudança do ponto de vista psíquico. Por mais que, no papel de mãe, nós tenhamos todos esses sonhos, temos que considerar os impactos mentais dessa nova composição familiar.

Algo que pode facilitar muito essa experiência: escutar o primogênito, mesmo se isso for difícil. É claro que o que funcionou na minha casa pode não funcionar na sua. O que é bom para aquela outra pessoa do Instagram (os vizinhos de hoje em dia, rs) pode não ser bom para você.

Aqui em casa, precisei esperar que a Valentina manifestasse a vontade de me ajudar nos cuidados com o irmão – como jogar a fralda no lixo, pegar a pomada, auxiliar no banho. Todas as vezes em que fiz o convite não deu certo.

“Filha, você quer me ajudar a dar banho?” 

“Quero, quero sim, mamãe!”

Bom, ela ia para o banheiro e queria jogar água no rosto do Luigi com dias de vida.

Então, precisei ter essa sensibilidade e, por ter um conhecimento teórico da composição da criança enquanto indivíduo, eu consegui perceber que era melhor esperar a vontade dela.

Com o tempo, ela se prontificou sozinha: “Mamãe, quero passar pomada no piru do Luigi”, “mamãe, quero ajudar a dar banho”… e por aí vai.

O que falo é justamente nesse sentido: olhar para o primogênito e ouvi-lo, percebê-lo. Sem forçar a barra, sem exigir ajuda nos cuidados com o bebê.

Um outro ponto que eu acredito que é super importante de ser divido por aqui: pode ser que, com a chegada de um segundo filho, o mais velho fique ainda mais agarrado à mãe e só aceite que ela atenda às necessidades dele.

No meu cenário familiar, em que eu pude contar com a ajuda da minha mãe, da minha tia e da minha irmã, pessoas com as quais a Valentina está acostumada e em quem confia, só eu era “apta” a fazer as coisas para ela.

Eu ouvi muita gente falando que isso era birra, que ela tinha que aprender a esperar… Naquele momento, eu optei por priorizar, sim, as demandas dela. E assumo: abri mão de alguns cuidados básicos com o Luigi (dar banho, colocar para dormir, trocar a fralda) para conseguir dar atenção à Valentina.

Foi aí que achei importante contratar uma babá para o Luigi. Na minha concepção e na minha vivência, a Valen estava “precisando” mais de mim naquele momento.

O que eu podia fazer para o mais novo era amamentar (e, nessas horas, tentei organizar para que a Valentina tivesse alguma atividade – nem que fosse ir até à padaria da rua – e saísse do ambiente). Eu gosto de amamentar sozinha, no silêncio.

E posso afirmar que foram nesses momentos em que tive maior dificuldade para lidar, porque era quando ela mais intervinha, tirava a cabeça dele, colocava a mão no meu seio, queria por o dedo entre o bico do peito e a boca do Luigi.

É importante considerar que o  Luigi estava crescendo e engordando acima da média dentro da minha rotina de amamentação. Aqui em casa, a “livre demanda” tinha hora marcada. Ai, Elaine, mas livre demanda não é assim! Para mim, foi e funcionou.

Minha concepção de livre demanda é que o leite deve ser oferecido quando a criança tem fome – e as pessoas que estudam sobre amamentação me deixaram bem calma nesse aspecto.

Ela é importante para construir vínculos, para aumentar a produção de leite, para oferecer ao bebê o amparo que ele precisa. Quando o Luigi chorava, colocava-o no peito. Coincidência ou não, esse chorar acontecia sempre em um intervalo de 2h30/3 horas. Ou seja, ele não ficou pendurado no peito o dia todo.

Como ele nasceu em dezembro, a Valentina estava de férias. Então, essa periodicidade de demanda do bebê facilitou para que eu pudesse organizar a rotina de modo a propor uma atividade para ela nesse tempo – e, assim, eu me dedicava a ele.

Talvez, lendo essas sugestões que estou dando, você pense que isso é muito fácil ou que é impossível. Mas foi assim que eu consegui fazer dar certo.

Uma outra coisa (e aqui abro meu coração para vocês): para todas as mães que passaram por mim e que eu pude olhar no fundo dos olhos, eu falei a mesmíssima coisa. Nos primeiros dias, as redes sociais podem atrapalhar.

Calma, deixem eu explicar para que esse meu ponto de vista fique muito claro.

Acredito nas redes sociais, escolhi trabalhar com elas, estou aqui fazendo isso por prazer e amor. Mas, assim como tudo na vida, se não houver o equilíbrio, pode ser prejudicial.

Hoje, na internet, nós não temos controle do que realmente é escrito com um pouco de conhecimento e até com uma visão ampla, tirando da primeira pessoa. Quando narramos nossa experiência, ela está embasada na situação pela qual passamos e na realidade em que vivemos.

Ao afirmarmos algumas coisas, temos que tomar cuidado (vocês perceberam que sempre uso as palavras “pode ser que”, “talvez”?). Nos meus textos, para situações genéricas, evito ao máximo os termos “sempre”, “nunca”, “jamais”.

Bom, na conhecida quarentena, eu, Elaine, assim como outros profissionais da área, encaro que seja fundamental o resguardo. Só que, com o telefone na mão, nós temos contato com o mundo todo – e esse resguardo acaba sendo esquecido.

De repente, se você tem um bebezinho em casa e fica olhando o que eu divido da relação entre a Valentina e o Luigi (como está muito distante da sua realidade naquele momento), você se frustre de alguma forma.

Por mais que só tenha passado 1 ano e meio desde a chegada do mais novo aqui em casa, construímos muitas coisas nesse tempo. Não falei que o amor é um processo? É justamente isso.

Hoje, eles estão vivendo a parte mais gostosa. Depois que o Luigi começou a andar, nossa!, eles viraram super parceiros. Dá gosto de ver e faz tudo valer a pena.

Minha sugestão: tentem se resguardar e olhar o menos possível as redes sociais, principalmente o perfil daquelas pessoas que já estão um pouco na frente – e incluo o meu perfil também nesse momento.

Pode ser que, ao olhar para a vida dessas pessoas, você se sinta mais aflita do que acolhida. E digo isso porque, nos meus momentos de dificuldade, me pegava vendo redes sociais que faziam saltar fotos lindas aos meus olhos. Textos incríveis sendo escritos que fugiam do que eu estava vivendo.

Aquilo me deixava com uma sensação de fraqueza e impotência muito grande. Poxa, eu não consigo controlar minha filha mais velha para que eu possa amamentar o outro tranquila.

E, mesmo tendo uma base psicopedagógica, mesmo tendo mais de 15 de experiência com crianças, mesmo tendo acompanhando outras amigas tendo filhos, a internet me atrapalhou.

Quando preenchemos nossa mente com pensamentos de negatividade, o cérebro e o corpo absorvem. Tentem se conectar com o que realmente está acontecendo com vocês. Sei que, nessa fase, a gente se sente muita sozinha.

Minha dica: pegue o telefone, ligue para alguém que está vivendo o mesmo momento que você ou que passou por ele e vai te falar com clareza. Pessoas do seu convívio. Entenda que cada primogênito apresenta uma reação diferente com a chegada de um novo membro.

Ganhar um irmãozinho causa, sim, um impacto muito grande: emocional, psíquica e organizacionalmente falando. Tudo muda.

Tenho amigas que me falaram: meu filho teve febre emocional; minha filha voltou a usar fralda; meu mais velho parou de falar. A Valentina teve molusco contagioso – e nós temos quase certeza que foi depois da chegada do Luigi.

Antes de terminar, quero dizer que usei de toda a minha sensibilidade e deixei meu coração falar para escrever esse post. O intuito não é, JAMAIS, desanimar alguma mãe de ter o segundo filho.

Acredito que cada dia nesse processo de construção do amor é válido, enriquecedor e gratificante. Não é fácil, existem dificuldades, mas esse sentimento é tão poderoso que faz valer a pena.

Um filho traz coisas maravilhosas para a família – se o casal quer e podem ter, eu dou o maior apoio e incentivo. Tanto que estamos no terceirinho, né?!

Espero que tenham gostado do texto. Se ficou qualquer dúvida, por favor, deixem nos comentários. Não deixem alguma entrelinha ou algo que não soou bem passar batido. O importante é o diálogo e a troca de experiências!

Uma ótima semana para todas nós. E, qualquer coisa, estou por aqui – na medida do possível, rs.

 

19 Comentários

  1. Taina Zanchet disse:

    Elaine obrigada por compartilhar suas experiencias… eu to achando a tomada de decisao de ter o segundo mil vezes mais dificil do que a tomada de decisao de ter o primeiro. Oh duvida cruel .

  2. Angelica disse:

    Mais um texto maravilhoso. Estou nessa fase com primogênito de quase 4 é um rn de 7 dias. Tem sido bem tranquilo porque me preparei e tô me esforçando para ficar tudo bem. As pessoas a nossa volta no intuito de ajudar as vezes atrapalham, querendo afastar o primogênito de mim. Tem momentos de carência dele, cansaço meu, mas com ajuda tem dado tudo certo.

  3. Michelle torsani disse:

    Adorei o Post Elaine , minha filha vai fazer 3 anos mês que vem , eu parei com anticoncepcional porque eu e meu marido resolvemos que queremos um segundo filho , minha filha até agora fala direto que vai ter um irmãozinho daqui uns dias que vai nascer da minha barriga , mamar em mim etc….. fala essas coisas , super animada ! E eu ansiosa demaaaaaais

  4. Thaís Veríssimo Marques Perpétuo disse:

    Amei o texto e agradeço por compartilhar conosco sua experiência… tirou minhas dúvidas e me deu um estalo de como farei com o primogênito. Agora no final da gestação ele tem demonstrado muita ansiedade e está mais dependente.. logo me desesperei.. como farei quando o irmão chegar?? Adoreiiii sua dica, de abrir mão de dar um banho, trocar.. para atender o primeiro.. já estava ficando desesperada de pensar nisso!!! E penso da mesma forma (claro que ele em alguns momentos terá que esperar) ele não precisa aprender na marra a esperar, tudo faz parte do processo. Bjo na sua família linda e muita luz pra vcs!

  5. News disse:

    Its like you read my mind! You appear to know so much about this, like you wrote the book in it or something. I think that you could do with some pics to drive the message home a bit, but other than that, this is wonderful blog. A great read. I will certainly be back.

Comentar

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>